sábado, 10 de maio de 2014

Meditação Vipássana- Procedimentos Básicos

Vipassana, que significa ver as coisas como realmente são, é uma das mais antigas técnicas de meditação da Índia. Foi redescoberta por Buda Gautama há mais de 2500 anos e ensinada por ele como um remédio universal para males universais, ou seja, uma Arte de Viver. Essa técnica não sectária visa a total erradicação das impurezas mentais e a resultante suprema felicidade da liberação completa. A cura, não a mera cura de doenças, mas a cura essencial do sofrimento humano, é o seu propósito.

Vipassana é um caminho de autotransformação que utiliza a auto-observação. Foca a profunda interconexão entre mente e corpo, que pode ser experimentada diretamente pela atenção disciplinada às sensações físicas, que, por sua vez, constituem a vida do corpo e continuamente se interconectam e permitem a vida da mente. É essa jornada de autoconhecimento baseada na observação — que objetiva a raiz comum da mente e do corpo — a responsável pela dissolução das impurezas mentais, resultando numa mente em equilíbrio, cheia de amor e compaixão.

As leis científicas que regulam os pensamentos, sentimentos, julgamentos e sensações se tornam claras. Pela experiência direta, compreende-se a natureza de como se progride ou regride, como se produz ou se liberta do sofrimento. A vida começa a se caracterizar por consciência, libertação de ilusões, autocontrole e paz cada vez maiores.
Aprenda a fazer a Meditação Vipássana

Quanto mais límpida é a mente, maior o entendimento das coisas e, portanto, mais felizes nos tornamos. Buda não só postulou essa máxima como delineou o caminho para sua plena realização: a meditação vipassana – “vi” significa clareza, “passana”, ver. Em outras palavras, é a habilidade de enxergar tudo como é, ou seja,impermanentes, quer habitem o mundo interior, quer o exterior.A prática vincula-se ao budismo theravada, a mais antiga das escolas budistas, engajada há mais de 2 500 anos na preservação dos ensinamentos originais de Buda.

Atenção e concentração são os pilares do método. Para refinar essas qualidades, usa-se a respiração como âncora. É ela que ajudaa fortalecer o foco para, depois, o praticante ter condições de observar com acuidade os fenômenos transcorridos no corpo e namente, tais como dores nas costas e nas pernas, incômodos comosonolência, torpor, agitação mental e distração, além da vontadede abandonar a prática e partir para as tarefas cotidianas, segundo Cassiano Quilici, vice-presidente e cofundador da Casa de Dharma, centro de meditação budista theravada, em São Paulo. Um dos grandes méritos desse treinamento mental é o fato de ajudar o praticante a deixar de reagir automaticamente às circunstâncias, grande fonte de sofrimento. O começo é desafiador, pois a mente não está acostumada a fixar a atenção num único ponto – no caso, a respiração, que deve ser solta, fluida. Pensamentos intrusos e excessivos dificultam aimersão. É natural. “Quando isso acontecer, traga a mente de volta para o foco na respiração de maneira gentil mas firme, sem esquecer que lidar com certo desconforto faz parte do exercício”, ensina Cassiano, que acrescenta: “A vipassana fornece instrumentos para ver a realidade de maneira mais profunda. Por meio dela, passamos a perceber e a discriminar o que acontece a cada momento, além de cultivar estados mentais mais saudáveis, livres, serenos, luminosos”.

Com o tempo, assegura ele, os adeptos aprendem a receber o que chega sem julgamento, seja pensamentos, sensações, seja ideias. Também passam a compreender a natureza de certas atitudes cotidianas. Por exemplo, a intensidade do apego direcionado a certos objetos e pessoas, da agressividade, da ansiedade, dos pensamentos repetitivos, dos hábitos e padrões de comportamento perpetuados, muitas vezes, inconscientemente. A cientista social Cristina Flória, atual presidente da Casa de Dharma, se beneficia da autopercepção aguçada por décadas de prática. “A meditação gera distanciamento. A gente aprende a observar nossa conduta cotidiana, nossas emoções e projeções mentais, não se identificando com a raiva ou com a ansiedade, por exemplo, e sim compreendendo que elas são apenas criações mentais”, fala. Entre tantas descobertas egressas dessa sondagem interior aliada a estudos regulares dos textos budistas, Rafael Ortiz, médico ortopedista do Hospital das Clínicas, em São Paulo, destaca a tessitura de uma relação mais gentil consigo mesmo e com os outros, além da aceitação do fato de que a vida e os seres estão sempre se modificando. “Isso faz com que encaremos com leveza nossa falta de controle”, diz. Como toda maturação, tal aprendizado pressupõe a travessia de um caminho longo e gradual, mas que, em seu curso, fomenta o desabrochar da sabedoria. “A habilidade de perceber o que está implicado nos próprios desejos e impulsos libera o ser humano do sofrimento, fruto da ignorância, que se manifesta por meio de um jeito distorcido de perceber as coisas”, afirma Cassiano.

Procedimentos Básicos
• Sente-se com a coluna ereta e as pernas cruzadas na posição de lótus ou meia lótus. Os olhos devem permanecer fechados ou semicerrados, o queixo paralelo ao chão e os ombros relaxados. As mãos podem repousar sobre o colo ou sobre os joelhos. Isso pode ser feito em qualquer lugar. Não é necessário estar diante de um altar ou da imagem de Buda. Na vipassana, não há música de fundo ou oração inicial. Basta fechar os olhos e mxar a atenção na respiração. Simples assim.
• Observe o nuxo da respiração de maneira geral ou o seu renexo noabdômen ou na entrada das narinas. A ideia é permanecer quieto, notando o ar entrar e sair do corpo.
• Para começar, reserve de 15 a 20 minutos diários ou realize sessões de um minuto a cada hora. Essa segunda opção permite que a pessoa parcele a prática em diferentes locais e momentos do dia – no decorrer do expediente, no carro, antes ou depois das refeições –, desde que possa fechar os olhos e se concentrar.
Fonte: casa.abril.com.br

2 comentários:

Osmar Roberto Teixeira disse...

Chandra, entrei no seu blog para conhecer seu trabalho. Legal o que você postou sobre meditação Vipassana. Também pratico meditação e a Vipassana é uma das formas, ou ferramentas, para a Mindfulness. Paz e Luz! Namasté! Osmar Roberto Teixeira

Chandra Veeresha disse...

Obrigada querido.
Seja sempre bem vindo por aqui...
Esta meditação é de fato muito simples e eficaz...
beijos
namasté!!!